sábado, 27 de setembro de 2008

Reencontro III

Pois que ânsia de saber de ti!
Saber para além ainda do que contam
os poemas que li.
Sim porque cada um deles
Condensa tanta vivência...
Tanta coisa...tanta coisa...
Aliás, que seriam dos poemas
Sem vivências?
Sem almas vomitando impropérios
Sem gritos engasgados
E mortes sem velórios?
Bolhas de sabão, sacos vazios
Noites insones
Varadas por nada.
Isso seriam os poemas.

Pois que ânsia de te contar de mim!
Eu insone tantas vezes
a tela enfumaçada
Tentando enxergar algo
De dentro do nublado dos olhos
Tão úmidos
Tão meus, tão seus.
A abrir e fechar ciclos
Na solidão consentida
Dos dias
Tão meus, tão seus.
Identidade
Forjada paripasso
Pois que pensamento
Vive para além do espaço e do tempo.

E outras tantas vezes
Em que fui feliz?
Nem te contei.
Eu feliz
Sono solto
Feito algaroba ao relento
Feito pele arrepiada
De rainha emocionada
Absoluta
Sobre a natureza que cultivei.
Nem te contei.
Outro dia, por exemplo,
Alguém me amou
Sem me tomar a vida
E eu nem te contei.

Lúcia Couto

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