segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Dêem-me o silêncio!

Que se calem os tambores!
Que se anulem todas as dores
que no passado ficaram.
Que se cale a tempestade
pra que eu possa respirar
e deixar enfim
rolar a lágrima
que teima, salgada,
em me queimar os olhos.
Que se calem todos os ruídos
e se fechem todos os portais
E que me dêem o silêncio
como prêmio
à minha insignificancia mortal.
E ainda...
que parem de soprar os ventos
e no mar se instale a calmaria
pois que preciso do momento
para escrever minha agonia.
E no silêncio do mar sem ondas
rever meu tempo
passo-a-passo restaurar
meu moinho de vento.

Lúcia Couto

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